Futuro do trabalho: quais são as tendências para os próximos anos?

Não é a primeira vez que a gente cita os efeitos da pandemia aqui, o que não é surpresa, considerando o impacto que ela causou em nossas vidas e tudo que ela nos forçou a rever. No trabalho, não foi diferente. Mudanças que pareciam estar mais distantes tornaram-se necessidade imediata e nossa relação com o trabalho passou (e continua passando) por transformações.

É fato que a evolução é inerente à vida em sociedade, então a pandemia, apesar de ter acelerado o processo, não foi a única motivação para essas novidades. O avanço constante da tecnologia e a maior preocupação com questões como saúde mental já demandavam uma análise mais profunda sobre como estamos lidando com o trabalho e como podemos melhorar essa relação. E agora já deu para perceber que as mudanças vieram para ficar.

Mas o que está diferente? Quais são os planos e as expectativas para o futuro? E ainda, quais são os desafios que teremos que encarar?

Saúde e bem-estar dos funcionários

Nós já fizemos um artigo dedicado à importância do debate acerca da saúde mental. Segundo a OMS, em seu Relatório Mundial de Saúde Mental, publicado em 2022, quase um bilhão de pessoas vivia com transtornos mentais em 2019, e cerca de 15% dos trabalhadores adultos lidam com algum transtorno mental. Inclusive, a OMS, juntamente com a OIT, estima que 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos anualmente devido à depressão e à ansiedade, o que representa um valor de quase US$ 1 trilhão para a economia global.

Por isso, as empresas estão procurando formas de auxiliar seus colaboradores, com estratégias para mudar sua cultura e ambiente de trabalho. Investir num espaço saudável, onde as pessoas se sintam acolhidas e parte de um propósito aumenta (e muito) a produtividade.

Flexibilidade

Flexibilizar horários e dias tem sido uma tendência nos últimos anos. As pessoas valorizam cada vez mais ter liberdade para ajustar suas agendas de acordo com suas realidades, e não mais ter horários fixos e imutáveis.

Empresas em todo o mundo, inclusive no Brasil, estão testando um novo modelo: 4 dias de trabalho na semana, sem diminuição do salário. No Reino Unido, o experimento se mostrou um sucesso: os funcionários relataram melhorias no sono, na saúde mental e nas suas vidas pessoais. Das 61 empresas que participaram, 56 pretendem continuar a implementar o modelo, e dessas 56, em 18, a mudança será permanente. Apenas 3 não pretendem manter nenhum elemento do modelo.

Sistemas mais maleáveis permitem que os resultados sejam o foco e não as horas trabalhadas. A produtividade é ditada pela qualidade do trabalho feito e não pela quantidade.

Trabalho remoto

O home office veio para ficar. Depois da força que ganhou na pandemia, muitas empresas escolheram prosseguir com esse modelo (ou então um regime híbrido), e aí surge a importância de criar um lugar apropriado para trabalhar. Funcionários esperam que as empresas invistam em suporte para melhorar o espaço, com auxílio financeiro para comprar materiais e equipamentos, como notebooks, celular corporativo, cadeira, mesa de trabalho, além de ajuda nos gastos de eletricidade e internet.

É também uma preocupação estabelecer limites de quando o trabalho começa e termina, já que sem um espaço específico com esse destino, as pessoas podem perder a noção de que estão trabalhando e estender suas horas.

Tecnologia no trabalho

A tecnologia está invadindo todas as áreas. De espaços digitais imersivos no metaverso a inteligências artificiais exercendo tarefas, os avanços tecnológicos fazem parte dos ambientes de trabalho.

Um relatório do Fórum Econômico Mundial publicado no final de 2020 prevê que, até 2025, a automação será a causa da extinção de cerca de 85 milhões de empregos em 15 setores e 26 países. Em contraponto, 97 milhões de empregos serão criados em áreas como saúde, tecnologias da quarta revolução industrial e criação de conteúdo.

A Gartner divulgou o relatório “Top 10 Strategic Technology Trends for 2023”, sobre o qual a gente já falou, com previsões sobre as tendências tecnológicas para 2023, e uma delas é a de que o metaverso estará presente em diversos setores e, até 2027, mais de 40% das grandes empresas em todo o mundo estarão usando-o para aumentar sua receita. 

Integração entre setores

Colaboração é a palavra de ordem. Um estudo feito em 2014 pela Universidade de Stanford demonstrou que as pessoas persistem até 64% a mais de tempo para realizar uma tarefa em grupo que quando executam a mesma tarefa individualmente. Ainda de acordo com a pesquisa, o trabalho colaborativo melhora a performance individual, aumenta a inovação e diminui a fadiga.

Ter times diversos que conversem entre si enrique o processo com diferentes visões para desenvolver as atividades. Além disso, o trabalho em equipe fortalece os vínculos entre os funcionários e cria um espaço mais saudável para se trabalhar.

Por isso, as empresas estão procurando formas de auxiliar seus colaboradores, com estratégias para mudar sua cultura e ambiente de trabalho. Investir num espaço saudável, onde as pessoas se sintam acolhidas e parte de um propósito aumenta (e muito) a produtividade.

Soft skills e liquid skills (competências fluidas)

As soft skills estão sendo cada vez mais requisitadas por empresas. Elas representam habilidades comportamentais interpessoais usadas para resolver problemas e alcançar resultados. Alguns exemplos são comunicação eficaz, inteligência emocional, flexibilidade, autogestão e colaboração.

Outras habilidades que vêm ganhando atenção são as liquid skills (ou competências fluidas). Num cenário de constantes mudanças, a capacidade de não só aprender novos conceitos, como também desaprender o que não for mais aplicável, tem grande valor para profissionais.

Ainda há muitas ferramentas e conceitos que prometem revolucionar o ambiente de trabalho. Para conseguir evoluir como profissional, é importante estar sempre por dentro das novidades que vão ditar a forma como trabalhamos no futuro.