Vivemos uma época de incertezas e mudanças rápidas, em que a tecnologia evolui, mas nem sempre acompanha as necessidades de todas as pessoas. A gente vê, muitas vezes, os direitos das minorias sendo negligenciados. Em momentos assim, é essencial refletir sobre conceitos fundamentais que garantem equidade no acesso a informações, produtos e serviços.

Acessibilidade, inclusão e design universal não são apenas boas práticas ou tendências do mercado, são direitos adquiridos e fatores determinantes para um mundo mais justo. No entanto, os três conceitos não são a mesma coisa – hoje nós vamos falar quais são as diferenças entre eles.

O que é Design Acessível?

O design acessível tem como foco principal a criação de soluções que atendam às necessidades de pessoas com deficiências ou limitações, garantindo que possam utilizar produtos, serviços e interfaces sem dificuldades. Seguindo diretrizes e boas práticas, o objetivo é eliminar obstáculos e permitir o acesso igualitário.

Acessibilidade é, muitas vezes, uma exigência legal e técnica. Existem normativas internacionais, como as diretrizes WCAG (Web Content Accessibility Guidelines), que orientam sobre como criar experiências acessíveis na web.

Exemplos de design acessível:

Google e Apple incorporaram leitores de tela nativos em seus sistemas operacionais – o TalkBack no Android e o VoiceOver no iOS – permitindo que pessoas com deficiência visual naveguem em smartphones sem a necessidade de softwares adicionais. Esses recursos convertem elementos da interface em áudio, descrevendo ícones, botões e textos para que o usuário possa interagir com o dispositivo por gestos e comandos de voz. Além disso, os leitores de tela evoluíram para oferecer suporte a aplicativos de terceiros, leitura de imagens com inteligência artificial e até reconhecimento de textos em fotos, tornando a experiência digital muito mais acessível e independente.

O Xbox Adaptive Controller é um controle de videogame feito para jogadores com deficiência motora. Ele possui botões grandes e programáveis, além de diversas entradas para conectar dispositivos auxiliares, como interruptores e pedais personalizados. Seu design modular permite que cada jogador adapte a experiência conforme sua necessidade.

A OrCam MyEye, um dispositivo de assistência para pessoas cegas ou com baixa visão, é uma pequena câmera que pode ser acoplada a óculos comuns e usa inteligência artificial para converter texto em fala em tempo real. Ele pode ler livros, placas, cardápios e até reconhecer rostos e objetos, fornecendo mais independência para usuários com deficiência visual. 

E o Design Inclusivo?

Se o design acessível busca remover barreiras, o design inclusivo dá um passo a mais: ele pensa na diversidade desde o início do processo criativo. Isso significa projetar para diferentes perfis de usuários, considerando não apenas deficiências, mas também idade, cultura, gênero, classe social e qualquer outra característica que possa impactar a experiência de uso.

Exemplos de design inclusivo:

A Lego lançou um conjunto especial de peças em braille, projetadas para tornar a experiência de brincar mais acessível a crianças cegas ou com baixa visão. Cada peça mantém o formato tradicional dos blocos da marca, mas apresenta relevos que correspondem às letras e números do sistema braille, permitindo que as crianças aprendam a linguagem tátil de maneira interativa e lúdica. Além disso, os blocos continuam compatíveis com os conjuntos convencionais da Lego, promovendo a inclusão ao possibilitar que crianças com e sem deficiência visual brinquem juntas. Essa iniciativa reforça o compromisso da marca com a acessibilidade e a educação, oferecendo um aprendizado sensorial que estimula o desenvolvimento infantil de forma divertida e inclusiva.

A Barbie lançou uma linha de bonecas que celebra a diversidade, incorporando diferentes tipos de corpos, tons de pele e deficiências físicas. A coleção inclui bonecas com próteses, cadeiras de rodas, vitiligo e diversas variações de altura e tipo corporal, ampliando a representatividade nos brinquedos. Isso permite que mais crianças se reconheçam nas bonecas com as quais brincam, promovendo a inclusão e reforçando a mensagem de que a beleza existe em diversas formas.

A Fenty Beauty, marca criada por Rihanna, revolucionou a indústria da beleza ao lançar uma linha de bases e corretivos com mais de 50 tonalidades, abrangendo uma diversidade de tons de pele que, por muito tempo, foram negligenciados pelo mercado. O impacto foi tão grande que a iniciativa ficou conhecida como o Fenty Effect, pressionando outras marcas a ampliarem suas gamas de cores e tornando a diversidade um novo padrão na indústria da beleza.

E o Design Universal?

O design universal vai além da inclusão e da acessibilidade. Ele tem como objetivo criar soluções que funcionem para o maior número possível de pessoas, independentemente de limitações específicas. É um conceito que busca eliminar a necessidade de adaptações futuras, projetando produtos, espaços e interfaces que possam ser usados por qualquer um, sem necessidade de modificação.

Exemplos de design universal:

Instagram, TikTok e YouTube implementaram a opção de legendas automáticas em vídeos, tornando o conteúdo mais acessível para pessoas com deficiência auditiva e beneficiando também aqueles que assistem sem som, como em ambientes públicos. Essa tecnologia utiliza inteligência artificial para transcrever falas em tempo real, permitindo que mais usuários compreendam o conteúdo sem depender de legendas manuais. Além disso, algumas plataformas permitem a edição dessas legendas para maior precisão, garantindo uma experiência mais inclusiva e aprimorada para diversos públicos.

O Oxo Good Grips, linha de utensílios de cozinha, foi inicialmente criada para pessoas com artrite. A linha possui cabos antiderrapantes e ergonômicos, que oferecem mais conforto e firmeza ao segurar facas, descascadores e abridores de lata. O design foi pensado para reduzir o esforço necessário para manusear os utensílios, tornando a cozinha mais acessível para idosos, pessoas com mobilidade reduzida e até mesmo para quem busca mais praticidade.

As portas automáticas são também um exemplo de design universal, porque beneficiam todos os usuários, independentemente de idade, mobilidade ou necessidade específica. Elas foram inicialmente desenvolvidas para garantir acessibilidade a pessoas com deficiência motora, permitindo que cadeirantes ou indivíduos com dificuldades de locomoção passem sem precisar empurrar uma porta pesada. No entanto, elas também beneficiam outras pessoas, como pais com carrinhos de bebê, pessoas carregando sacolas, idosos e até mesmo quem simplesmente tem as mãos ocupadas. 

Mulher de black power entrando no metro sorrindo

Como os três se relacionam?

O design acessível é um ponto de partida, pois busca garantir que pessoas com deficiência possam utilizar um produto ou serviço sem barreiras. O design inclusivo amplia essa perspectiva, considerando a diversidade e projetando para múltiplos grupos. Já o design universal tem como missão eliminar barreiras desde o início, fazendo com que a experiência de uso do produto ou do serviço seja pensada para toda e qualquer pessoa.

Pense assim:

  • Um site pode ser acessível se incluir leitores de tela e comandos de navegação por teclado.
  • Pode ser inclusivo se levar em conta diferentes culturas, níveis de alfabetização e questões sociais, garantindo que o conteúdo faça sentido para diferentes públicos.
  • Será universal se for intuitivo e funcional para qualquer pessoa, independentemente de habilidades, idiomas ou dispositivos, sem necessidade de ajustes específicos.

 

Por que isso importa para o seu negócio?

Quando um design é acessível, inclusivo e universal, mais pessoas podem interagir com ele. E isso significa maior alcance, melhor experiência do usuário e mais oportunidades de conexão com diferentes públicos. Além disso, cada vez mais consumidores valorizam marcas que demonstram compromisso com diversidade e inclusão. No fim das contas, o design deve ser para todos; quando projetamos levando em conta a pluralidade do mundo, criamos soluções mais inteligentes, humanas e eficientes.

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