Você pode não ter percebido, mas já esbarrou por aí com algum exemplo da nova tendência “design da dopamina” (dopamine design). Desde sempre, o design gráfico é uma ferramenta de convencimento de algo por meio do do estético. Seja qual for o produto ou serviço, é o design que o desenvolve e o design gráfico que convence o seu público da sua importância. Em outdoors, embalagens, anúncios online, o design é onipresente.

E, hoje em dia, já sabemos que a grande disputa das marcas não é somente pelo dinheiro do público, mas também pelo tempo (tudo bem, tudo bem, tempo é dinheiro). O scroll infinito das redes sociais criam uma competição de atenção que é ganha pelo mais interessante, pelo que libera mais dopamina. Até não muito tempo atrás, essa dopamina aparecia principalmente pelas notificações. Receber uma mensagem ou ser marcada em um comentário ou em uma foto significava receber uma notificação na tela do celular e, consequentemente, aquela pequenina dopamina liberada.

Mas há um novo player nessa liberação da dopamina. Começou discretamente nas redes sociais, através de posts informativos mas em um formato alegre, nostálgico e/ou engraçado. Em exemplos populares no Brasil, podemos citar os posts da Obvious, Graninhas e The Summer Hunter. Por mais que essas três contas tragam conteúdos relevantes e interessantes, o (provável) motivo principal para tanto compartilhamento é a sua estética. São sempre posts coloridos, ilustrados, esteticamente alegres e com bastante informação visual, frequentemente utilizando o maximalismo visual.

E as marcas já entenderam o alcance desse novo formato. Todos os exemplos citados já fizeram posts que são publicidade, mas sem deixar nada explícito. Os temas continuam relevantes, sérios, mas estão ligeiramente atrelados à marca parceira. Não é a venda direta de um produto, é um investimento em continuar no formato dopamina – continuem fazendo exatamente o mesmo, mas criem alguma relação comigo.

Marca Kiro

Marca One More

Como isso fica fora do ambiente digital? A necessidade de trazer essa “dopaminada” saiu das redes sociais e já se transformou em produtos novos chamativos, coloridos, alegres, intensos. Uma indústria que está fazendo isso com excelência é a de bebidas, com embalagens bastante criativas, mas essa vertente de anos 90, ilustrada, feliz e maximizada também aparece em outros produtos e serviços, e não é tão raro encontrar pessoas que colecionem garrafas de bebidas porque são bonitas. 

O objetivo é sempre criar uma resposta emocional e instantânea. 

Esse universo inclusive já chegou no decorativo! Decoração da dopamina significa trazer todos os elementos que evocam felicidade sem muito esforço – cores alegres, uso de luz natural, pôsteres coloridíssimos, uma abundância de plantas e outros exemplos trazem a tal viciante dopamina.

O design da dopamina é um reflexo claro dos tempos em que vivemos: uma realidade de estímulos infinitos, em que a busca inconsciente por felicidade instantânea e conexões emocionais se tornou rotina. Seja no digital, no físico ou no decorativo, essa tendência não se limita a agradar os olhos – ela conversa diretamente com as nossas emoções. E é por isso que funciona tão bem.

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