A importância do design em tempos incertos

O começo da pandemia em 2020 pode ter agravado a sensação de um cotidiano carregado pela dúvida. Não é apenas esse marco que denuncia tempos de incerteza: crises climáticas, ascensão de políticas extremistas, perda de direitos humanos, discursos de ódio e guerra mostram que todo dia é um desafio.

Mesmo que, à primeira vista, o design pareça abstrato, acreditamos na possibilidade de  influenciar ou até se conectar com o momento que vivemos por um viés político ou social. Quando mergulhamos na etimologia da palavra design:

Significa — entre outras coisas — «intenção», «propósito», «plano», «intento», «fim», «atentado», «conspiração», «figura», «estrutura de base», e todos estes significados (e outros) estão em estreita relação com os de «astúcia» e de «insídia».

Como verbo (to design) significa «arquitectar algo», «simular», «conceber», «esboçar», «organizar», «agir estrategicamente». O termo deriva do latim signum, que quer dizer «signo», e conserva a sua antiga raiz. Assim, do ponto de vista etimológico, design significa «desenho».

Além da obviedade do design ser uma ferramenta de criação, também existe uma força grande em como sua utilização pode influenciar a forma com que percebemos o mundo. Seja na construção de um mobiliário urbano voltado a transeuntes em uma zona movimentada da cidade; seja no desenvolvimento de projetos de economia circular, onde nenhum resíduo é desperdiçado; seja no desenvolvimento de uma identidade visual que facilite a leitura para seniores e idosos; o Design permite pensarmos os produtos e sistemas em uma visão cada vez mais holística e transversal. Conforme os problemas e incertezas do mundo surgem, precisamos de ferramentas e tecnologias (sociais, digitais e informacionais) para lidarmos com estas complexidades.

Junto com a incerteza, também é visível as grandes transformações da forma com que nos relacionamos com o mundo. Do real para o virtual, são cada vez menores as distinções entre cada um. Nessa grande aproximação, a dependência das ferramentas digitais é imensa. Contudo, é importante pensar quais questionamentos são importantes para o design nesse momento. Em um mundo que se aproxima cada vez mais das necessidades individuais, como pensamos o impacto de forma coletiva?

Para isso, separamos 3 perguntas para ajudar a pensar o Design como ferramenta política:

Os conteúdos que estou criando estão alinhados com os ideais que carrego?

Além da esfera individual e prática do trabalho, é importante questionar como sua produção afeta o coletivo. Talvez não seja possível que todos os trabalhos estejam de acordo com isso, mas procurar pensar ativamente nessa questão e até dar visibilidade ao menos a uma causa em que acredita é importante

Como repensar o usuário em um âmbito de experiência individual para um grupo, ou coletivo?

Tem se falado muito na questão do “user-centric” ou seja, a elevação do usuário acima de qualquer outro interesse. Porém, se as decisões na construção de códigos e até venda de dados priorizam a experiência individual, acaba por minimizar o impacto coletivo. Por isso, é extremamente importante questionar projetos com processos de criação transparentes de dados.

A minha produção ajuda ou atrapalha a compreensão do mundo?

Em um momento de grande fluxo de criação virtual, existe um questionamento forte do que estamos produzindo e qual a sua finalidade. Seja no fluxo de desinformação e fake news, mas também no web-design como um todo. Questionar o volume de produção, a escolha das ferramentas, a apresentação da interface digital ao usuário final é necessário e urgente para checarmos se não estamos poluindo mais ainda o virtual.

Mesmo que existam inúmeras previsões e tendências para quais caminhos  o mundo deverá seguir, ainda fica difícil e distante ter certezas nesse momento. Por isso, mais uma vez, investimos nas perguntas que vão nos guiar. E agora mais conscientes continuamos a trabalhar.

E para você? Qual a importância do design nos tempos atuais?

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